

Poucas horas antes da escalada, Ingrid havia publicado uma mensagem nas redes sociais relatando os preparativos para a subida ao vulcão, que possui mais de 3 mil metros de altitude e é um dos mais ativos do Chile.
— São três da manhã e estamos terminando de arrumar nossas mochilas para subir o Llaima. Espero que Deus me acompanhe neste dia maravilhoso, em que completo 42 anos e estou muito feliz — escreveu ela. Em seguida, acrescentou: — Sim, tenho algumas dúvidas sobre o que vai acontecer.
A morte da alpinista foi confirmada ainda na noite de domingo, mas o corpo só pôde ser retirado da montanha na manhã de segunda-feira, após uma operação conjunta envolvendo policiais, bombeiros, voluntários e agentes da National Forest Corporation (Conaf).
O diretor regional da Conaf, Héctor Tillería, afirmou que o grupo não havia realizado o registro prévio obrigatório junto às autoridades do parque, procedimento exigido para monitoramento e segurança dos visitantes. Ele alertou ainda para as temperaturas abaixo de zero registradas na região e para os riscos das trilhas de alta montanha nesta época do ano.
Ingrid morava em Villarrica, era mãe de dois filhos e integrava o conselho escolar da Escola Alexander Graham Bell. Em nota, representantes da instituição a descreveram como uma mulher “responsável, gentil e dedicada”. A comunidade local prestou condolências ao marido, aos filhos e aos amigos da vítima.
O acidente reacendeu o debate sobre os perigos das escaladas em vulcões turísticos. Há um ano, um turista argentino desapareceu por horas ao tentar subir o mesmo vulcão em condições extremas antes de ser resgatado. O caso também lembra a morte da brasileira Juliana Marins, de 26 anos, que caiu de cerca de 600 metros durante uma trilha no Monte Rinjani, na Indonésia, em junho do ano passado. A jovem, moradora de Niterói, ficou presa na encosta por quase quatro dias até que equipes de resgate localizassem seu corpo com auxílio de drones térmicos, em meio ao mau tempo e ao terreno de difícil acesso.