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Recife: 15% dos moradores de comunidades ainda vivem em ruas sem acesso a ônibus, carros e ambulâncias

Publicada em 26/01/26 às 06:57h - 52 visualizações

por Rádio Maranata FM


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 (Foto: Rádio Maranata FM)

Há alguns meses, a dona de casa Cláudia Pereira, de 43 anos, deixou de receber correspondências em sua casa, localizada na comunidade de Três Carneiros Alto, em área limítrofe entre Recife e Jaboatão dos Guararapes. Com vigas expostas e trechos quebrados, a ponte que dava acesso à região em que ela vive têm deixado moradores e entregadores inseguros, motivando a suspensão do serviço postal no local.

Agora, para pagar as contas de água e luz, ela precisa se deslocar até uma lan house da comunidade. “Eu não tenho internet em casa. Dá quarenta minutos de caminhada daqui para eu chegar lá em cima”, diz ela, referindo-se às longas subidas e escadarias que precisa encarar quase diariamente, inclusive quando precisa se deslocar até o terminal. De acordo com a pesquisa “Características Urbanísticas do Entorno dos Domicílios”, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2022, a comunidade de Três Carneiros Alto é a terceira menos acessível do Recife, com apenas 3,12% da população vivendo em domicílios localizados em vias com capacidade de circulação de ônibus e caminhões.

Nesse quesito, a comunidade só fica à frente da Vila da Imbiribeira (1,85%) e da Vila dos Motoristas (2,53%), na comunidade do Coque, área central do Recife. “A vida do pobre é assim mesmo. Luta por cima de luta. Um dia alguém olha pra gente, né?”, resume Cláudia. Segundo a Associação dos Moradores de Três Carneiros Alto (AMTC), cerca de 26 mil recifenses vivem na área. Eles só contam com duas avenidas, São Paulo e Tiradentes, para circulação de ônibus e caminhões.

O restante da comunidade é composta por ruas sem saída ou vias muito estreitas, que dificultam deslocamentos e acesso a serviços. “Só consigo sair de casa de Uber ou de moto. A pessoa vai ficando triste dentro de casa”, lamenta Josemar de Lima, que precisou amputar uma das pernas há dois anos, em razão do agravamento do quadro de diabetes. As ruas sem pavimentação, repletas de pedras e buracos, inviabilizam a circulação de cadeiras de rodas e tornam arriscada a locomoção com auxílio de andador. “Só saio para ir para a Igreja, porque meu filho vem me buscar de moto”, acrescenta.

Na Rua Ibitiranga, a costureira Aurineide Ferraz pensa em deixar a comunidade, onde cresceu e fez boa parte de suas amizades. Sua mãe, de 82 anos, também é cadeirante. “Se tiver uma emergência, não passa ambulância nessa rua”, preocupa-se.

Lixo

O mau cheiro da via também tem desgastado a relação da moradora com a comunidade. No cruzamento da Ibiporanga com a Avenida São Paulo, fica localizado um dos dois pontos de coleta do lixo a ser recolhido pelo caminhão de limpeza urbana da cidade, que não consegue acessar as vias mais apertadas. “Têm dias em que a quantidade de lixo fecha nossa rua”, acrescenta Aurineide.

Segundo Levi Costa, presidente da AMTC, a concentração de lixo na avenida principal é tanta que chega a interromper o fluxo de veículos na avenida. “A gente acredita que a prefeitura deveria instalar uma Ecoestação em um terreno da comunidade, para concentrar esses resíduos”, sugere.




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