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Careca do INSS comprou lancha de R$ 3,4 milhões em meio a fraudes

Publicada em 20/11/25 às 07:08h - 76 visualizações

por Rádio Maranata FM


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 (Foto: Rádio Maranata FM)
O lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, comprou uma lancha de luxo por R$ 3,4 milhões em meio ao auge da farra dos descontos indevidos nas aposentadorias de segurados da Previdência. O veículo aquático tem capacidade para 19 pessoas e dispõe de regalias como TV, frigobar, ar-condicionado, caixa de som potente, cooktop e até churrasqueira elétrica. Atualmente, a lancha está em uma marina no Lago Paranoá, próximo a uma das regiões mais ricas de Brasília, e ainda não foi apreendida pela Polícia Federal. No mesmo local, o Careca do INSS também mantém um jet ski Sea-Doo RXP-X 325, de cor vermelha, avaliado em R$ 100 mil. 
Um dos filhos do lobista chegou a consultar os advogados do lobista para saber se poderia ligar os veículos aquáticos e, dessa maneira, evitar desgaste dos equipamentos. Antonio Carlos Camilo Antunes iniciou a compra da lancha de luxo em abril de 2024, por meio da Prospect Consultoria Empresarial SA. Inicialmente, o lobista comprou dois terços da embarcação. Nesse primeiro contrato de venda, obtido pela coluna, ele pagou R$ 2,2 milhões, divididos em 10 vezes.
Ao fim do pagamento, em janeiro deste ano, o Careca do INSS assinou um aditivo no contrato para adquirir o terço restante da lancha e, dessa maneira, ser proprietário de 100% do veículo. Nesse caso, o empresário pagou R$ 1,2 milhão, divididos em três vezes. As parcelas de R$ 400 mil, segundo os termos do negócio, deveriam ser pagas via Pix. A última transação foi em 10 de abril, às vésperas da Operação Sem Desconto. No papel, a lancha continua em nome do antigo proprietário, a Madrid Participações. Trata-se de uma holding da área de saúde, com sede em Recife, Pernambuco.

Presidente da Madrid Participações, o empresário Robson Medina Catão explicou à coluna que não conseguiu mais falar com o Careca do INSS após a deflagração da primeira fase da Operação Sem Desconto, o que impossibilitou ter repassado a propriedade do veículo, oficialmente, para o nome do lobista.

“Quando o Antonio pagou, eu mandei uma mensagem para ele pedindo todas as informações para encaminhar um despachante e eu transferir a lancha. Logo na sequência, ele teve os problemas dele e eu não tive mais contato com ele”, explicou Robson Catão. O empresário assegurou que o Careca do INSS pagou todas as parcelas em dia.

Robson Catão explicou também que Antonio Antunes resolveu comprar a lancha ao argumentar que os filhos estavam vindo dos Estados Unidos para passar de dois a três meses no Brasil. Disse ainda que, à época da transação, não sabia quem realmente era o Careca do INSS, atualmente considerado um dos principais operadores da farra dos descontos indevidos, cujo esquema foi revelado pelo Metrópoles. Por fim, Robson Catão contou ter procurado a defesa de Antonio Antunes para que constasse no processo o contrato de compra e venda da embarcação, bem como os comprovantes de pagamento. A atitude, segundo explicou, foi por precaução.

Em conversa com a coluna, o advogado Cleber Lopes, que fazia a defesa do Careca do INSS,explicou que o empresário, de fato, lhe procurou, mas que não houve regularização da transferência da lancha para o nome de Antonio Antunes.

A nova defesa do lobista, feita pela advogada Danyelle Galvão, afirmou por sua vez que “está tomando par de toda situação patrimonial e que vai oferecer em juízo todas as informações sobre todos os bens do investigado”. A advogada assumiu a causa há cerca de um mês, após o criminalista Cleber Lopes deixar de representar o Careca do INSS por motivos pessoais, conforme revelou a coluna.

Coaf identificou transações suspeitas envolvendo empresário que vendeu lancha ao Careca do INSS

Um relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) da Prospect Consultoria, enviado à CPMI do INSS, levantou suspeitas sobre as transações de Robson Catão. O órgão anotou que ele movimentou “valores incompatíveis com sua capacidade financeira” no período analisado.

“Não foi possível estabelecer aparente vínculo econômico entre o cliente e as principais contrapartes, tampouco determinar a finalidade e licitude dos recursos movimentados ou o motivo das transações incompatíveis com sua capacidade financeira. Valores não foram rapidamente evadidos, na maior parte do tempo ainda preservou o recurso em conta durante 2-3 dias, porém ainda, sim, sua movimentação e seu perfil são sensíveis à lavagem de dinheiro”.





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