

O avanço da campanha de vacinação contra a doença causada pelo novo coronavírus é um sinal de esperança em meio à pandemia. Para quem ainda não pegou a Covid e também para aqueles que já estão recuperados.
Ficar curado de uma doença como essa representa um recomeço e um alívio. A auxiliar administrativa Suene Silva passou 18 dias intubada por causa da Covid-19. Em vários momentos, achou que iria morrer.
Em seguida, as doses da Coronavac, vacina produzida pelo Instituto Butantan em parceria com a empresa chinesa Sinovac, começaram a ser distribuídas pelo Brasil e chegaram a Pernambuco.
As primeiras 270 mil doses vieram de avião e foram distribuídas em todas as cidades do estado. A prioridade foi imunizar profissionais de saúde, idosos e pessoas com deficiência em instituições e os povos indígenas. A primeira indígena de Pernambuco vacinada foi uma enfermeira, representante do povo Atikum.
“O primeiro caso que aconteceu foi do meu povo, no distrito. Foi um paciente que veio para o Recife com a esposa, que estava internada, e ele pegou. A Covid chegou como uma coisa muito desconhecida ainda e foi muita incerteza e muito medo”, disse Penha Atikum.
Mesmo o povo que costuma se curar com a medicina da natureza, apostou na vacina para se afastar da Covid-19. E agora comemora a chance de se prevenir.
“Foi muito difícil pra gente, sabe? Meu povo fica muito misturado, muito junto e assim a gente teve que ficar isolado. Essa doença veio para dizer que a gente tinha que ficar isolado e os nossos idosos tinham que ficar mais isolados ainda, né? Então foi uma doença que foi muito difícil para os povos indígenas, muito difícil. E a vacina foi nossa esperança. E o meu Atikum tá muito alegre!", comemorou Penha.
Esperança, alegria e a possibilidade de estar junto. Faz tempo que a professora Ana Lima não tem a chance de abraçar os pais e irmãos. A distância é um jeito de protegê-los.
“Tem pai, mãe, irmãos e amigos. No meu caso, que sou professora, também tenho os alunos. Isso faz muita falta. Então, a gente começa a se sentir uma peça solta no mundo como se a gente não tivesse mais conexão com as pessoas. Faz muita falta sim”, observou.
Ana ainda não teve a chance de tomar a vacina, mas, para ela, a imunização representa muito. “A vacina vai trazer para gente a liberdade. Não só a liberdade de ir e vir, de sair, viajar para todo canto sem essa nuvem sombria. Mas, principalmente, a liberdade de a gente voltar a ser o que a gente sempre foi. Gente que abraça, que beija, que se toca”, afirmou.
Os primeiros passos estão sendo dados. Os planos de vacinação estão prontos. Em Pernambuco são quatro fases. Quase três milhões de pessoas estão nos grupos prioritários, mas o estado ainda está longe de ter vacina para todo mundo.
Até agora, chegaram 511.560 doses das duas vacinas aprovadas pela Anvisa no Brasil. São 427.560 da Coronavac e 84 mil da vacina produzida pela farmacêutica Astrazeneca, em parceria com a Universidade de Oxford.
O virologista e pesquisador da Fiocruz Lindomar Pena explica que é preciso ter a chamada ‘imunidade de rebanho’, que é quando a maioria das pessoas está imunizada.